Brasil, centro mundial do tráfico de escravos

Navio Negreiro

Pesquisas recentes de um programa de duas universidades, a de Emory, em Atlanta nos EUA e a de Hull, no Reino Unido, a primeira a cargo do professor David Ellis e a segunda a cargo do professor David Richardson, que em 12 anos examinaram os registros de 35.000 viagens marítimas de tráfico de escravos da Africa para as Américas, pelos diários de 5.200 navios examinados, chegaram a conclusão que o papel comercial do Brasil no negócio da escravidão negra é muito maior do que se pensava. Liderança absoluta que deixou todos os demais países bem distantes, ficando em segundo lugar os navios britânicos que transportaram 3 milhões para todos os países das Américas como negociantes, tinham mercado nas colônias americanas do Sul da América do Norte, da Jamaica, ilhas do Caribe, Cuba e America Central, mas também disputavam mercado no Brasil.

Dos 12,5 milhões de escravos transportados da África para as Américas, 2,5 milhões morreram nas viagens e chegaram ao destino 10 milhões de escravos para todos os portos. Desse contingente, chegaram ao Brasil 5.800.000 escravos, quase 60% do total, em comparação para as colônias americanas da Inglaterra (as 13 colônias), chegaram um décimo do que veio para o Brasil, 597.000 escravos.

Mais ainda, a maior parte dos navios que transportaram escravos para o Brasil eram matriculados nos Rio de Janeiro e não em Portugal, como se pensava. O Rio de Janeiro entre os seculos XVI e XIX, 350 anos em que o negócio de tráfico negreiro foi praticado, foi o centro mercantil mais importante do comércio de escravos em todas as Americas. O Rio de Janeiro tinha bancos especializados no financiamento do trafico, tinha companhias seguradoras para os riscos das viagens e tinha grandes comerciantes com vasto capital que o trafico exigia.

O Brasil foi o 'primeiro' pais a importar escravos da Africa, foi o que praticou o trafico por mais tempo e foi o ultimo a abolir o trafico e a própria escravidão. Nenhum outro Pais teve a proeminencia do Brasil na processo da escravidão africana e nenhum contava com as estruturas montadas para o negocio, como armazens para leilões e um sistema jurídico sofisticado para registro de propriedade e de organização desse comercio. Parte dessa primazia foi facilitada pela presença portuguesa na Africa, anterior e de maior dimensão a de outros países, como Espanha, França e Inglaterra, que chegaram à Africa muito depois de Portugal.

A pesquisa contou tambem com o apoio do maior especialista brasileiro no tema, Manolo Florentino e o livro decorrente da pesquisa foi publicado pela Yale University Press.

, Jornal GGN

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