Governo mediou conflito em Amarante

Uma comitiva da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) visitou na quinta-feira (27), o acampamento Egídio Brunetto, em Amarante, distante cerca de 150 km de Açailândia. A ocupação foi realizada no último dia 15 de agosto e é organizada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) – segundo as lideranças, a terra é reconhecida como da União.
Amarante
Acampamento Egídio Brunetto. Foto: Zema Ribeiro
Igor Almeida e Creuzamar de Pinho, secretários adjuntos de Direitos Humanos e Participação Popular, respectivamente, dialogaram com o movimento no Acampamento Ouro Preto, distante cerca de 10 km do local do conflito.

Igor Almeida, Secretário Adjunto de Direitos Humanos, ressaltou que a equipe estava na área por uma determinação do Governo. “Nós não aceitaremos ações violentas cometidas contra trabalhadores que lutam por seus direitos, principalmente ações violentas e torturas cometidas por milícias privadas. A interlocução com o Governo Federal será realizada, para agilizar os pedidos de regularização fundiária da Gleba”, afirmou.

Aldeia Global publicou sobre conflito:
Milícia armada invade acampamento do MST

Relatos dos acampados dão conta da ação de milícia armada, formada por 12 ou 14 jagunços, para a expulsão das famílias da Fazenda São Francisco, localizada na gleba Sítio Novo. Diversas armas foram usadas, inclusive fuzis, com vários tiros disparados para assustá-los – várias famílias desistiram da ocupação. Segundo eles, dois homens usavam coletes à prova de bala.

A milícia chegou a torturar dois lavradores, que foram espancados e tiveram as cabeças cobertas por sacolas. Os pistoleiros cercaram o acampamento e a tortura foi usada como “barganha”, explica Reinaldo Costa, do MST. Vendo parentes torturados, os acampados deixaram a fazenda. Estão agora no Acampamento Ouro Preto, montado desde 2003, após terem deixado para trás, por força da pressão e ação violenta da milícia, bens como uma moto, documentos pessoais, redes, roupas, celulares e até mesmo uma farmácia coletiva, montada com medicamentos de primeiros socorros.

Durante a desocupação um jumento chegou a ser queimado vivo e o senhor Antônio Gomes de Sousa, de 63 anos, quase foi a óbito por conta da excessiva inalação de fumaça. O senhor João de Deus, uma das vítimas de tortura, relatou o que ouviu durante a sessão. “Eles diziam: ‘a corda só quebra do lado mais fraco. Se eu te matar aqui vocês nunca mais vão me ver, eu não vou ser preso’. E falaram também dos casos de irmã DorotyStang e dos missionários mortos em Ipixuna, no Pará”.

Segundo os acampados, a desapropriação da gleba Sítio Novo permitiria o assentamento de 250 famílias. A gleba tem nove supostos proprietários, vários deles denunciados por uso de mão de obra escrava. “A selvageria dos fazendeiros é tão grande que um rouba gado do outro para botar a culpa nos sem terra”, contou Reinaldo Costa.

A equipe da Sedihpop orientou os trabalhadores torturados a dirigirem-se à Delegacia Regional de Imperatriz para o exame de corpo de delito e registro de boletim de ocorrência. Os secretários adjuntos atuarão para a articulação necessária do Governo do Estado junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Secretaria de Patrimônio da União (SPU), para a rápida resolução da questão fundiária da gleba Sítio Novo, que abrange cinco municípios.

Zema Ribeiro

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