Um secretário que cai: Alckmin recua em fechar escolas

Diante da revolta popular, tucanos anunciam suspensão da reorganização

Pressionado pela maior mobilização popular dos últimos anos, com cerca de 300 escolas ocupadas em todas as regiões do Estado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou na tarde desta sexta-feira (4), em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, que decidiu suspender a reorganização em toda a rede de ensino do estado.

O famigerado secretário da Educação do governo tucano, Hermann Cornelius Vooward, também pediu demissão do cargo, explicitando a profunda crise e o debilitamento do governo diante da revolta liderada pelos estudantes secundaristas.

A “reorganização” previa o fechamento de mias de 90 escolas (chegaram a ser mil), de milhares de salas de aulas, a transferência compulsória de mais de 300 mil alunos e a demissão de cerca de 50 mil professores e funcionários, entre outras medidas draconianas.

A campanha mentirosa do governo de que tais medidas visavam “melhorar a Educação”, não foi engolida pela imensa maioria da população, ficando evidente que a medida visava apenas cortar gastos com o já combalido ensino público paulista, levado a um completo caos por duas décadas de governos tucanos, comprometidos com os tubarões do ensino pago e outros monopólios capitalistas.

Em cerca de dois meses, foram realizadas centenas de passeatas, atos e assembleias com dezenas de milhares de participantes, ameaçando não só a reorganização mas o próprio governo.

No mesmo dia em que o governo foi forçado ao recuo, pesquisa de opinião do Datafolha, do grupo do principal órgão da imprensa tucana paulista – aFolha de São Paulo - indicou que a popularidade do governador chegou ao m”enor índice já registrado: 28% consideram o governo dele ótimo ou bom (na anterior, o percentual era de 38%). Segundo a pesquisa, dois fatos influenciaram essa queda: a crise hídrica e a reorganização escolar” (Valo Econômico, 4/11/12).

A crise provocada pelas mobilizações levou a que todo um setor da burguesia – que sempre apoiou as medidas do PSDB de ataque à Educação e ã toda população – pressionassem o governo à recuar de sua decisão (ainda que de forma provisória) temendo o crescimento da revolta popular..

Na tarde de quinta (dia 3), o Ministério Público e a Defensoria Pública de São Paulo, por exemplo, entraram com uma ação civil pública que pedia que a reorganização das escolas estaduais fosse suspenda e que a Secretaria de Educação organizasse uma discussão com a comunidade escolar sobre as suas propostas.

Vendo o barco da reorganização afundar, pela manha o próprio vice-governador, Márcio França (PSB), se pronunciou pela suspensão da reorganização.

O recuo do governo – que precisa ser conferido e aprofundado pela continuidade da mobilização, reflete também a pressão da direita da burguesia para que a mobilização em São Paulo fosse contida, uma vez que esta se constitui em obstáculo concreto às manobras e campanha da direita golpista e da sua imprensa em favor do golpe que leve à derrubada do governo Dilma, por meio do impeachment.

O governo tentou frear a mobilização por eio da repressão, usando sua PM assassina contra as manifestações dos estudantes , professores e da população. Dezenas de jovens foram presos, centenas de bombas foram lançadas contra os manifestantes, muitos feridos etc. Mas a mobilização não parava de crescer, ameaçando levar à lona todo o governo e os planos da direita.

A vitória parcial da mobilização mostra o caminho para impedir que o governo manobre aplique novos golpes, para conquistar as demais reivindicações dos estudantes, dos professores e de toda a comunidade escolar e também para barrar em São Paulo e em todo o País, os planos golpistas da direita e sua política de ajustes.

Como aprovado na assembleia unificada realizada nesta tarde, em frente à tradicional Escola Estadual Caetano de Campos, no centro da Capital, manter as ocupações e a mobilização até que o governo revogue o decreto da reorganização e garanta o atendimento das reivindicações do movimento.

Dia 10, nova manifestação da Paulista.

Todos nas ruas, contra a destruição do ensino público. Fora Alckmin, inimigo da Educação e da população. Não ao golpe, não ao impeachment.

www.pco.org.br

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