Repórter Record: A Estrada da Fome no MA

A Dependência do Estado estimula a fome e a miséria


Pobreza em Belágua





Leandro Bolina Nascimento, Hortolândia News

Assistindo, pelo Youtube, o documentário da TV Record – “A Estrada da Fome” (transmitido pela emissora na última segunda, dia 23), pude observar famílias e mais famílias passando fome no interior do Estado do Maranhão e implorando por ajuda do governo federal, enquanto a administração pública municipal parece estar mergulhada na corrupção de desvios de verbas assistenciais. Assim, mães solicitando o Bolsa Família e, muitas vezes, o pai desempregado em busca de algum emprego.

Sem dúvida, há uma forte dependência do Estado e do seu assistencialismo por parte destas famílias e de muitas outras pelo Brasil afora, inclusive na nossa região, tida como desenvolvida.

Nossa Região e a Grande São Paulo

Em nosso caso, através da má gestão dos recursos hídricos pelo Governo do Estado de São Paulo, percebe-se a nossa grande fragilidade, inclusive para uma possível falta de abastecimento alimentício, o que pode levar uma sociedade metropolitana a um caos social. Dependemos plenamente da “agricultura de terceiros” para a nossa subsistência e qualquer espécie de crise ambiental pode desestabilizar, por completo, sociedades de grandes centros urbanos.

Outra Situação

As cenas e as colocações da reportagem me lembraram de outro documentário que apresenta uma “situação inversa” ao descaso inaceitável do Maranhão. O documentário “O Mundo Segundo a Monsanto” evidencia uma indústria do setor agrícola (Monsanto – herbicidas e sementes transgênicas) capaz de destruir o equilíbrio da “Cultura de Subsistência dos Pequenos Agricultores” no Paraguai. E no contexto de fome apresentado pelo documentário da Record, quero destacar a fala de um agricultor no Paraguai:

No meu caso a minha família mora na cidade, mas eu não quero ir pra lá. Na cidade você tem que comprar tudo, até a comida. Aqui seja o que for que plantarmos é nosso. Podemos comer o que quisermos, mas na cidade não é assim; se você não tiver dinheiro vai ter que procurar comida nas latas de lixo.



Um paradoxo

Para nós, urbanos, é tão comum comprarmos comida e para este agricultor é o inverso – a preocupação dele é de como sobreviver na cidade, sendo que no meio de construções, sem terra e sem dinheiro, vai ter que sair procurando comida no lixo. É difícil para ele ir para a cidade e conseguir um emprego e é difícil para o homem urbano, sair da cidade e sobreviver no campo. Mas o que acontece com estas famílias do Maranhão e de tantos outros lugares do Brasil? É a corrupção de políticos no desvio de verbas assistenciais? É a falta do amparo nestas comunidades?

A Agricultura Familiar como Solução

É evidente que a corrupção nestes municípios tem contribuído efetivamente para a total miséria destas famílias. Porém, fico com a explicação do próprio Governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino:

A agricultura familiar foi progressivamente perdendo a sua força, não houve investimentos privados, por exemplo, em industrialização do Estado… A produção agrícola no Maranhão foi abandonada.

Ao mesmo tempo em que foi se abandonando a agricultura familiar, também não houve industrialização do Estado que oferecesse empregos a estas famílias.

Agora as famílias parecem ver a solução apenas no assistencialismo do Estado. Por que não se reúnem como comunidade no resgate de uma agricultura familiar?

Parece que tem algo impedindo um caminho relativamente simples para a solução dos problemas destas famílias. Talvez seja o distanciamento da cultura agrícola, mesmo tendo grandes áreas de plantio, talvez a ideia já formada de que somente o governo pode fazer algo e também, por uma possível força política/econômica que impede o desenvolvimento sustentável nestes locais.

Os programas paternalistas de erradicação da pobreza rural devem ser substituídos por uma educação que ajude a erradicá-la. Polan Lacki (Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

Nota do editor da Aldeia: Leandro Bolina Nascimento é licenciado em Educação Física e Técnico em Nutrição Esportiva. O autor trabalha na área de informática, arte gráfica, audiovisual, fotografia e jornalismo e é o fundador do Portal Hortolândia News.

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