Cunha tenta contornar derrotas

Rumores na Câmara Federal no início da tarde desta quarta-feira (27) dão conta de que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), ainda não se deu por vencido mesmo após a dupla derrota na votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma política nesta madrugada. Os parlamentares rejeitaram adotar o distritão como sistema eleitoral e não quiseram escrever na Constituição o aval ao financiamento empresarial a candidatos.

Eduardo Cunha

Mas, segundo o deputado Jean Wyllys (PSOL), Cunha tenta contornar a derrota e pretende colocar ainda hoje o financiamento privado na pauta novamente. “Nós teremos, pelo menos, mais três votações hoje. Vamos votar agora o financiamento de pessoas físicas. Se isso não atingir 308 votos favoráveis, votaremos o financiamento público; se não atingir 308, tem o texto original, que é o financiamento só para partidos e não para candidatos”, admitiu Cunha.

A votação que culminou na derrota de Cunha e do PMDB ocorreu após acordo de líderes feito ontem, que previa a discussão de doações por pessoa física e jurídica (empresas) no mesmo pacote. Rejeitada a proposta, nesta quarta (27), os deputados discutiriam o financiamento público exclusivo.

Porém, em nova reunião de líderes partidários, pela manhã, Cunha deu sinais de que pretende desmembrar o financiamento empresarial para votar de novo o financiamento por pessoa jurídica a partidos políticos - o que, na prática, significa tornar constitucional o financiamento privado aos candidatos, apontou Wyllys, pois as agremiações fazem os repasses de recursos.

"Quem perdeu foi o povo"

Por volta do meio dia desta quarta-feira, Eduardo Cunha comentou a decisão do Plenário de não mudar o sistema eleitoral para o distritão e manter o modelo atual de eleição para deputados e vereadores. “Ontem, quem foi derrotado foi o povo, porque todos os modelos foram derrotados. Recusaram a lista, o distrital misto, o distritão e o distritão misto. Então, na prática, a decisão é: não tem reforma”, resumiu.

“A Casa definiu que não quer fazer a reforma política. Ela se dissociou da sociedade quando pregou na campanha eleitoral que queria uma reforma política e, quando teve a oportunidade, não se manifestou por nenhum dos modelos. Quando não se pronuncia por nenhum, opta pelo que já existe”, avaliou o presidente, ao chegar à Casa.

O presidente prevê que haverá pouco ou nenhum avanço nas votações que ficaram para hoje. “Provavelmente, não haverá nenhuma alteração substancial. Acho muito pouco provável que passe alguma coisa.”

Ainda falta votar o fim da reeleição, o tempo de mandato de cargos eletivos, a coincidência de mandatos, cota para as mulheres, fim das coligações, cláusula de barreira, voto obrigatório e
data da posse presidencial.

Jean Wyllys (deputado federal do PSOL). No Facebook:

Cunha e seus asseclas, derrotados na sua intenção de inscrever na Constituição a prática do financiamento de empresas às campanhas políticas, ainda não se deram por vencidos. Os rumores que correm pela Casa são de que provavelmente irão quebrar o acordo de líderes e colocar uma nova matéria em votação, ainda hoje, com uma sutil diferença: permitir a doação destas empresas aos partidos - e não mais diretamente às campanhas -, o que, na prática, é basicamente a mesma coisa. 
A intenção de reformar a política para reforçar suas mazelas está clara, e não podemos baixar nossas guardas, pois, como bem se vê, a prática é rasteira!

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