Carolina: Na Era dos Coronéis

O Museu Histórico de Carolina, idealizado por moradores de Brasília que nasceram lá, ajuda a contar a história local e do país, como a passagem do movimento da Coluna Prestes, que ficou algumas semanas na região (Correio Braziliense)

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Os casarões conservam a arquitetura antiga: história
Ao caminhar pelas ruas estreitas de Carolina, é possível encontrar casarões do século 19 que ainda estão preservados. São edificações de adobe, um tipo de tijolo feito de barro, areia e palha. A história da cidade guarda detalhes da época do coronelismo do Brasil. Segundo historiadores, o extremo sul do Maranhão passou a ser visitado por colonizadores em busca do aprisionamento de índios para o trabalho na exploração de ouro. Os religiosos apareceram em seguida, em meados do século 17. No entanto, o primeiro núcleo urbano formou-se em 1809, quando o sertanista Elias Ferreira de Barros, foi enviado pela então província do Pará a fim de explorar as margens do Rio Tocantins com o manejo de gado, porém índios da tribo Timbira que habitavam aquela região enfrentar a urbanização.

No século 20, Carolina viveu seu auge financeiro. Era centro econômico importante do nordeste, com influência sobre grande parte do sul piauiense, Pará e norte de Goiás (atual Tocantins). Tinha comunicação com Belém pelo rio Tocantins e por avião com todo o país. Os filhos das famílias mais importantes iam estudar na então capital da República, Rio de Janeiro ou em Recife.

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Tudo isso está no Museu Histórico de Carolina, construído nas ruínas de um prédio de 1830, preservando as características da arquitetura original. O acervo reúne ainda documentos oficiais, cartas, gravuras da época, fotos e peças doadas pela comunidade. A pesquisa levou 15 anos para ser concluída. “Não existia na cidade nenhum espaço que contasse a história. O Museu se faz importante para resgatar esse passado”, afirma Tom Maranhão, curador do espaço.

A idealização do projeto partiu de um grupo de carolinenses que mora em Brasília. Eles criaram a ONG Via Verde para financiar a obra. “Fizemos um estudo vasto de todos os aspectos da cidade. Pesquisamos a arte, a economia, a política, a história e a cultura de Carolina para organizarmos o que é mostrado no museu”, explica Tom.

Identidade

A história está preservada também em prédios antigos. A Pousada dos Candeeiros, por exemplo, funciona em um local que já foi cadeia pública e hospital. As características da edificação centenária foram mantidas para atrair turistas e reúne peças com mais de 50 anos. A responsável pelo espaço, Cínthia Noleto Lucena, 36 anos, acredita que as raízes culturais devem ser preservadas. “O turismo cresceu bastante e muita coisa mudou, mas a cidade não pode perder os traços de interior”, explica.

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Prédio ocupado pelo movimento Coluna Prestes, em 1925: foram recebidos com festa

Quem mergulha nas águas de um dos pontos turísticos mais conhecido de Carolina, as Cachoeiras Gêmeas do Itapecuru, sequer imagina que, até a década de 1960, elas ajudaram a consolidar a economia local com a produção de energia elétrica com a queda d’água de 13 metros. Essa foi a segunda hidrelétrica do Brasil e a primeira da região.

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Em 1925, o município entrou para a história brasileira com a passagem do movimento Coluna Prestes contrário a República Velha. O grupo passou algumas semanas na cidade sob a liderança de Juarez Távora, forte aliado do comunista Luiz Carlos Prestes. Segundo historiadores, à revelia do que aconteceu em outras cidades. Os moradores mais antigos contam que os militares foram recebidos com festa, saldados por políticos.

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O Museu Histórico de Carolina resgata e preserva a história da cidade maranhense

Para saber mais
Carolina Leopoldina, imperatriz do Brasil

O município de Carolina foi rebatizado, em 1832, para saudar a primeira esposa de Dom Pedro I, a arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena (foto ao lado). Chegou ao Brasil em novembro de 1817, com a corte. Em nove anos de casamento, ficou grávida nove vezes, sendo um dos filhos Pedro de Alcântara, que sucederia o pai no trono. Carolina morreu em 1826, aos 29 anos.

Informações

Para quem busca mais informações sobre o turismo de Carolina e da região do Parque Nacional da Serra da Mesa, a melhor forma é busca pela página Eu amo Carolina, no Facebook (facebook.com/euamocarolina). Lá, estão reunidas as principais informações da cidade, opções de hospedagem e dicas para os viajantes.

Otávio Augusto , Especial para o Correio Braziliense

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