Conselho denuncia atentados contra indígenas

No Maranhão, madeireiros dispararam contra três lideranças Ka’apor e no Amazonas policiais que faziam segurança de grupo de pesca esportiva alvejaram índios da aldeia Vista Alegre. (Rede Brasil Atual)

O Conselho Indígena Missionário (Cimi) denunciou nesta semana dois atentados contra lideranças indígenas durante ações para proteger a biodiversidade de suas terras, consideradas áreas de preservação. No Maranhão, madeireiros dispararam contra três índios Ka’apor que tentavam fiscalizar a ação das empresas dentro de suas terras. Já no Amazonas policiais civis e militares que faziam segurança de grupo de pesca esportiva alvejaram índios que tentavam impedir a retirada do pescado, principal alimento das aldeias.

O indígena I.J., que não quis ser identificado, foi uma das vítimas, em um atentado no último dia 16, enquanto vistoriava a aldeia Ypahurenda, uma das oito áreas de proteção da Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, justamente para impedir a ação de madeireiros. I.J. é uma das lideranças mais combativas na defesa da Terra Indígena.

Ele passava sozinho, em uma motocicleta, pela mesma estrada onde outra liderança, Eusébio Ka’apor foi assassinado, em abril. Ele notou que dois homens o seguiam, também de motocicleta, porém pararam nas proximidades de um povoado no município de nova Olinda do Maranhão. No retorno, I.J., acompanhado de outros dois indígenas, passou pelos suspeitos, que os seguiram e atiraram contra, como denunciaram ao Cimi. Ninguém se feriu. No local onde os indígenas sofreram a emboscada, testemunhas denunciaram que cinco caminhões carregados de madeira saíram do local, na última segunda-feira (20).

Ka'apor
Liderança Eusébio Ka’apor, assassinado em abril, durante protesto contra madeireiros
Diante da omissão do poder público, os indígenas farão um encontro sobre vigilância e proteção territorial, em 26 e 27 de julho, no município de Zé Doca, onde discutirão estratégias de resistência e pedirão justiça nos outros assassinatos sofridos. Os indígenas, que haviam fechado todos os ramais madeireiros, só retomaram as operações autônomas de fiscalização do território há um mês e voltaram a sofrer represálias.

No Amazonas, indígenas foram espancados por policiais militares e civis e um adolescente de 15 anos mantido algemado sob o sol durante várias horas, como denunciaram às vítimas ao Cimi. Eles tentavam impedir que um grupo de turismo praticasse pesca esportiva na área da aldeia Vista Alegre, na Terra Indígena (TI) Torá/Munduruku do Rio Marmelos, localizada no município de Manicoré, a 350 quilômetros de Manaus.

De acordo com relato dos indígenas, na manhã do último dia 13 um barco chegou de Humaitá com vários polícias civis e militares, por eles identificados como Ceiton Cruz, Paulo Humbelino, Anderson Gomes, Roberto Lobo, Elisan, Rosana Correia, Evanildo, Tatiane e Denis, entre outros não reconhecidos. Os indígenas disseram que os policiais faziam a escolta de uma empresa de turismo que promove excursões e pesca esportiva dentro da terra indígena.

O confronto ocorreu em frente a aldeia. Os povos Torá e Munduruku não aceitaram a entrada da empresa de turismo em seu território porque, de acordo com os indígenas, a presença de estranhos compromete a variedade de peixes na região, principal fonte de alimento das famílias. Além disso, a atividade turística afugenta a caça e provoca impactos ambientais e sociais.

Os feridos relataram terem sido agredidos, inclusive com spray de pimenta. O indígena Thome Munduruku, da aldeia Pau Queimado, chegou a ser agredido com um pedaço de pau. Os índios relatam que desde de 4 de julho a empresa de pesca esportiva está tentando entrar no Rio Marmelos, região tradicional dos indígenas.

Aldeia Global publicou sobre assassinato de Eusébio Ka'apor:
Tomba árvore, tomba índio Ka'apor
Eusébio Ka’apor foi morto por madeireiros
Eusébio Ka’apor é assassinado no Maranhão
Flávio Dino: combate sem tréguas à pistolagem

Antes disso, os indígenas realizaram a Conferência Local de Política Indigenista, na aldeia São José, quando foi acordado que haveria uma reunião com todas as aldeias do Baixo Marmelos para esclarecer um suposto contrato de pesca. Isso nunca ocorreu. A postura revoltou os indígenas e levou a comunidade a tentar impedir a entrada dos turistas. Por essa razão, a força policial foi mobilizada.

A Terra Indígena Torá/Munduruku do Rio Marmelos é uma das 170 no Amazonas que aguardam demarcação por parte do governo federal. Ali se localizam as aldeias São Raimundo, Pau Queimado, Vista Alegre, São José, Baixo Grande, Vera Cruz e Laguinho, onde vivem mais de 400 indígenas Torá, Munduruku e Mura.

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