Mercado repercute corte fiscal

A bolsa de valores fechou as operações com forte queda e praticamente zerou os ganhos acumulados ao longo de 2015, influenciado pelas ações de bancos, depois que o governo brasileiro divulgou cortes de metas fiscais - o que levou ao aumento das apostas na piora da avaliação de risco do país. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou as operações em queda de 2,18%, aos 49.806 pontos e com um volume negociado de R$ 7,360 bilhões. O indicador atingiu sua menor pontuação de fechamento desde 16 de março (48.848,21 pontos), e a maior queda percentual diária desde 29 de maio, quando a Bolsa caiu 2,25%. Agora, o índice passa a acumular perda de 4,84% na semana e de 0,40% ao longo do ano.


Os papéis do setor bancário foram os destaques de queda ao longo do dia: o Bradesco (BBDC4) encerrou em baixa de 4,44%, a R$ 26,50. O Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 4,16%, a R$ 29. O Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 1,58%, a R$ 20,61. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) também tiveram desvalorização expressiva: caíram 1,83%, a R$ 10,17.

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a redução drástica na meta fiscal, de 1,1% para 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto), e a criação de uma espécie de "banda fiscal", em que o governo admite a possibilidade de déficit primário neste ano, afetaram o humor dos investidores, observado desde ontem, quando a sinalização já circulava entre os analistas.

No dia seguinte à redução da meta de esforço fiscal do governo, a cotação da moeda norte-americana teve forte alta e fechou no maior valor em quatro meses. O dólar comercial subiu R$ 0,07 (2,17%) e encerrou vendido a R$ 3,296. A cotação atingiu o maior nível desde 19 de março, quando tinha fechado em R$ 3,297.

Segundo informações da Agência Brasil, a cotação permaneceu em alta durante toda a sessão. Na máxima do dia, por volta das 14h40, a moeda chegou a ser vendida a R$ 3,30. Em julho, o dólar acumula alta de 3,19%. No ano, a valorização chega a 23,9%.

Além da redução para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública), anunciada ontem (22) pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, fatores externos contribuíram para a valorização do dólar.

Nos Estados Unidos, a publicação dos números relativos aos pedidos semanais de auxílio-desemprego revelou que, na semana passada, o volume de solicitações atingiu o nível mais baixo desde 1973. A recuperação da economia norte-americana abre espaço para que o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) aumente, ainda este ano, os juros da maior economia do planeta. Juros mais altos nos Estados Unidos atraem capitais para países desenvolvidos, afetando economias emergentes, como a do Brasil.

A agenda de indicadores na sexta-feira estará concentrada no setor externo, com a divulgação do PMI (índice dos gerentes de compras, na sigla em inglês) industrial e de serviços na Alemanha e na zona do euro, além do PMI industrial e as vendas de moradias novas nos Estados Unidos. A temporada de balanços no mercado brasileiro teve início, e os agentes devem repercutir os resultados de empresas como Hypermarcas e Tractebel.

Jornal GGN

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