Moro aceita denúncia contra Marcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht e mais 12 se tornam réus na Lava Jato


Dono da maior empreiteira do País responderá por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos inquéritos da Operação Lava Jato, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e mais quatro executivos da empresa. A partir de agora, ele se torna réu {requerido} na ação penal da qual é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Odebrecht está preso em Curitiba desde 19 de junho.

Além de Odebrecht e dos quatro executivos, também se tornaram réus na ação o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso em 16 de março deste ano, e o doleiro Alberto Yousseff, detido em março do ano passado. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, solto após fazer delação premiada, também integra a lista.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, a Odebrecht participava de um cartel de empreiteiras na Petrobras para fraudar licitações. As investigações apontaram que a construtora fez uso de pagamentos no exterior por meio de off-shore para ex-dirigentes da estatal como Costa, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque.

Só em operações com a Braskem, empresa do grupo Odebrecht, a Petrobras teria sofrido um prejuízo de 6 bilhões de reais, aponta o Ministério Público. Os procuradores afirmam que a estatal venderia nafta, insumo para a produção de plástico, a preços abaixo de mercado. A apuração indica que Costa teria conseguido que a Petrobras cobrasse 92% do valor de mercado do produto para a Braskem.

O presidente da construtora, afirmam os investigadores, tinha conhecimento do esquema e inclusive teria tentado interferir nas apurações. A inferência foi feita a partir de uma mensagem interceptada no celular de Odebrecht na qual ele mencionava a intenção de influenciar “dissidentes da PF” e siglas referentes a nomes de políticos.

Em seu despacho, Moro destaca que “o esquema criminoso foi objeto de confissão e descrição, após acordos de colaboração, por diversos dos próprios investigados (...) Nesse quadro amplo, vislumbra o MPF uma grande organização criminosa formada em um núcleo pelos dirigentes das empreiteiras, em outro pelos empregados de alto escalão da Petrobrás e no terceiro pelos profissionais da lavagem”. No total, 13 suspeitos se tornaram réus {requeridos}.

Henrique Beirangê, Carta Capital

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