Prefeitura decreta ponto facultativo na segunda

A Prefeitura de São Luís decretou ponto facultativo nos órgãos da administração direta, indireta, autárquica e funcional do poder executivo municipal nesta segunda-feira (27) em alusão ao Dia da Adesão do Maranhão à Independência do Brasil, celebrado em 28 de julho. Os serviços voltarão à regularidade nesta terça-feira (28).

A Prefeitura informa que, durante os feriados e pontos facultativos, os serviços públicos considerados essenciais garantirão o atendimento por meio de escalas de serviço ou plantão. Dessa forma, ficam preservados os serviços essenciais relativos às áreas de urgência como saúde, limpeza pública, guarda municipal, fiscalização de trânsito e terminais de integração de passageiros.

Carolina Nahuz

Lord Cochrane: o Lobo do Mar(anhão)


Sua esquadra foi recebida na costa ludovicense sob o pretexto de que seria um reforço português. Foi um golpe de mestre; conseguiu de forma "tranquila" desembarcar seus homens e aprisionar alguns líderes militares lusos. Tomou o controle da cidade obrigando-a a aderir, a 28 de Julho de 1823, à Independência do Brasil (Ramssés Silva, São Luís em Cena)

Quando foi contratado para comandar a Armada Imperial brasileira, Lord Cochrane era provavelmente o melhor guerreiro de mar do Ocidente. No Brasil, oficialmente é um herói nacional, mas se alguém elogiar Lord Cochrane em São Luís do Maranhão, corre o risco de ser insultado.

Por que contratar um inglês para comandar a nossa Marinha? Bom, porque a nossa Marinha não existia ainda. Assim como o Exército, o Brasil começava a conceber a sua própria Marinha. Com toda a experiência de já ter lutado contra Napoleão, o controverso Cochrane foi a pessoa escolhida para comandar os barcos de guerra brasileiros (muitas vezes improvisados) nas guerras da independência.

Em 14 de dezembro de 1775, nasce Thomas Alexander Cochrane, em Anssfield, Escócia, filho de uma família nobre, mas não rica. Seu contato com o mar começa cedo: o primeiro registro que há de Cochrane como tripulante de um navio da Marinha Britânica data de 1780, ou seja, apenas cinco anos após o seu nascimento.

Lord Cochrane
Lord Cochrane, o escocês obrigou o Maranhão à aderir ao Império do Brasil
Embora esse primeiro contato tenha sido um artifício de seu tio, capitão da Marinha, de começar a contar o tempo de serviço do sobrinho visando futuras promoções, é possível afirmar que a paixão pelo mar de Cochrane tomou conta dele rapidamente. Aos 17 anos, entra efetivamente para a Marinha – ainda jovem, a sua motivação era a riqueza que poderia obter com a profissão, mas logo se revela um excelente marujo e guerreiro.

Aos 24 anos de idade, Cochrane é promovido a capitão-de-corveta e assume o comando do brigue HMS Speedy. Nesse mesmo ano, ele é quase capturado por uma fragata espanhola disfarçada de navio mercante, mas demonstra a sua astúcia ao escapar içando uma bandeira dinamarquesa, e evitar a invasão dos espanhóis alegando que o seu navio estava tomado pela peste negra – Cochrane era mestre em “dar um jeito”, quase que um jeitinho brasileiro, para solucionar vários problemas. Sabendo que ele ainda seria perseguido à noite, ele apagou todas as luzes do seu navio e deixou flutuar um barril com uma lanterna dentro – a fragata inimiga perseguiu o barril, e Cochrane escapou ileso.

Com o HMS Speedy, Cochrane, em 13 meses, capturou, queimou ou expulsou 53 navios inimigos até ser capturado ainda em 1801 por franceses. Há registros na autobiografia de Cochrane de que o capitão que o capturou era gentil e até pedia conselhos marítimos para o inglês, que foi liberto em uma troca por um oficial francês. Em 1806, Cochrane é apelidado por Napoleão Bonaparte, o maior inimigo da Inglaterra, de Lobo do Mar devido à sua genialidade e eficiência em alto-mar. Além da habilidade guerreira, o “lobo” alude ao caráter rude do almirante. Quem conheceu dizia que Cochrane se sentia em casa nas batalhas, mas em terra ou em momentos de calmaria, olhava para o chão, não encarava os interlocutores e respondia por monossílabos.

Nesse mesmo ano, ele ingressa no Parlamento Britânico, eleito após comprar votos a 10 guinéus cada, e inicia a sua carreira política. O seu jeito ousado de criticar a conduta inglesa em guerra e a corrupção na Marinha resultou em inimigos poderosos no governo.

Em 1814, a vida controversa de Cochrane atinge um novo limite com o episódio da fraude na Bolsa Britânica. Ele é acusado de ajudar a espalhar um boato de que Napoleão havia morrido – com a possibilidade de paz, os preços das ações subiu consideravelmente. Cochrane vende as suas ações, adquiridas dias antes, por um valor de £139,000, o equivalente a £5,826,880 hoje. Embora o homem que divulgou o boato tenha sido visto em sua casa na véspera, Cochrane jura inocência. Mesmo assim, acaba expulso do Parlamento e da Marinha.

Em busca de novas aventuras, Cochrane vai parar no Chile quatro anos depois, onde ajuda o país em sua guerra de independência contra a Espanha. Ele conduz o Exército do general San Martín até o Peru a bordo da fragata O’Higgins, onde auxilia, ao combater os espanhóis, na independência peruana por tabela.

Do Chile, Cochrane vem para o Brasil ajudar na nossa independência. Em abril de 1823, Lord Cochrane deixa o porto do Rio de Janeiro no comando de 6 navios, bloqueia o porto de Salvador e entra na baía apenas uma vez, à noite. Com os navios às escuras, se aproxima de barcos portugueses ancorados no Unhão e começa a abalroar os navios. Surpreendidos e sem ver de onde vem o ataque, os portugueses tentam fugir. Resultado: mais batidas e danos aos barcos. Cochrane se retira no escuro.

Em 3 meses, a Bahia é integrada ao Império do Brasil. Com os 4 navios que lhe sobraram, dirige-se ao Maranhão e ao Pará. Cochrane blefa e manda avisar ao governos locais portugueses que uma poderosa esquadra se aproxima e pede que se rendam. Os portugueses aceitam para só depois perceberem que não havia esquadra nenhuma. Tarde demais. A Independência do Brasil já é um fato. Com sua audácia e boas estratégia, Lord Cochrane desempenhou um papel importante na Independência do Brasil. Mas não foi pago.

Fazendo jus à fama, saqueia o Tesouro de São Luís, leva o dinheiro “para pagar os marujos”, e bombardeia a cidade. Como seu próprio pagamento não está quitado, ao partir para a Inglaterra, leva com ele uma fragata da Armada Imperial. Por isso, a sua fama em São Luís não é das melhores, mas o que você diria: Cochrane agiu de maneira errada ou as suas ações foram justificadas?

De volta à Inglaterra, torna-se o 10º Conde de Dundonald após a morte do pai e é aceito novamente à Marinha como almirante. Em 1860, morre durante cirurgia de pedra nos rins, e seu túmulo fica na Abadia de Westminster, onde são coroados os reis da Inglaterra.

Os Heróis do Brasil

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