Doze pessoas foram presas por fraudar créditos florestais

A Operação Amazônia Legal foi desarticulada pela Polícia Civil e pela Semas - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade

Segundo a Polícia, a quadrilha atuava em fraudes na compra e venda de créditos florestais de empresas cadastradas no Sisflora – Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais, administrado pela Semas, e no Sisdof – Sistema de Controle Florestal, administrado pelo Ibama. O esquema teria gerado quase 11 milhões de reais a madeireiras ilegais no estado.

Dos envolvidos na fraude, nove foram detidos no Pará, dois no Maranhão e um em Alagoas. De acordo com a delegada responsável pela investigação, Juliana Cavalcante, outras três pessoas estão foragidas.

As apurações indicam que a quadrilha contratou um especialista para invadir e clonar as senhas de superintendentes regionais do Ibama no Pará e no Rio Grande do Sul.

Segundo a delegada, com as senhas raqueadas, a quadrilha realizava o desbloqueio, no Sisdof e no Sisflora, de empresas com grande volume de créditos florestais. "Eles raquearam a senha e o usuário de acesso ao Sisdof e com isso eles efetuaram esse desbloqueio", disse.

Ao todo, 23 empresas paraenses foram desbloqueadas. A fraude gerou movimentação ilegal de cerca de 28 mil e 300 metros cúbicos de madeira.

A quadrilha atuava na venda de créditos para outras empresas que necessitavam de guias florestais para acobertar madeira de origem ilegal.

A delegada acredita que existam mais pessoas envolvidas e que a fraude no Pará também esteja associada a esquemas fraudulentos em outros estados, como Mato Grosso e Rondônia.

"Uma das empresas que foi desbloqueada teria sido bloqueada anteriormente por uma fraude envolvendo o estado de Rondônia. Essa organização criminosa identificou que havia uma falha no Sistema DOF, ou seja, créditos florestais que fossem encaminhados à empresa de Rondônia, mesmo cancelada essa operação, a empresa do Pará também recebia. Era uma espécie de duplicação desse crédito. Com a apreensão do material feita na residência dos investigados vão dar com certeza vazão a um avançado", confirmou a delegada.

Segundo a delegada, as investigações prosseguem. Os detidos vão responder por crime de estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso, lavagem de dinheiro, transporte ilegal de madeira e associação criminosa.

A assessoria do Ibama informou que o órgão foi alertado sobre a fraude e passou a integrar a investigação. De acordo com o órgão, medidas para impedir a tentativa de novas fraudes também foram adotadas.

Ariane Póvoa, EBC

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