Romário: As pernas curtas da Veja e o extrato falso

Meu filho menor, nos já distantes tempos em que tinha 3 anos de idade, tinha, como muitas crianças, a mania de andar agarrado a um brinquedo, no caso um trenzinho de metal. Quando saía com ele, punha o trem sobre uma mesa e lhe perguntava: o trem tem pernas? o trem vai andar sozinho? Então ele vai estar aí, no mesmo lugar, quando a gente voltar...

Parece que não é assim com os brinquedinhos da revista Veja que, ontem, apresentou à ombusdman da Folha, “explicações” que não esclarecem nada, senão a covardia da revista no episódio do falso extrato bancário atribuído ao senador Romário.

Eurípedes Alcântara, diretor de Redação diz que “por maior que seja a certeza do repórter sobre a origem e a autenticidade, o documento é só o começo de um processo bem mais complexo de apuração. Pode ocorrer -e não estou sequer cogitando ser esse o caso do extrato- que a verdadeira história esteja em como o documento saiu de um HD ou de um arquivo na nuvem, ganhou pernas e chegou ao jornalista.”

Sério?

“Seu” Eurípedes, diga isso ao juiz no processo de indenização que o Romário está abrindo contra a Veja e o baixinho vai estar bem mais perto dos R$ 75 milhões que exige da revista.
Um extrato bancário falso , como o trenzinho do meu filho, não ganha pernas.

É produzido por alguém com a intenção de fraudar a boa-fé de pessoas ou instituições se para isso não precisa de pernas, mas de mãos que o conduzam ao lugar onde vai produzir o mal que se pretende.

E estas mãos ou são ingênuas e são iludidas pelo bandido que fez o simulacro ou são tão bandidas quanto ele, por o fazerem por seus próprios interesses, materiais ou políticos.

Se, admitamos, não foi por má-fé, porque é que Veja não revela quem a colocou neste crime?
Porque a relação de confiança entre jornalista e fonte – se é essa – foi quebrada antes, quando se deu a publicar um extrato sabidamente forjado.

Aliás, quando se tratava de emprestar veracidade ao documento, Veja foi bem menos econômica com o sigilo de fonte, ao afirmar que o documento estava “nas mãos do Ministério Público”.

Se não é uma mentira da Veja – e aí novamente a falsidade para impressionar incautos – é o caso de perguntar-se quem é que levou o papelucho aos promotores e quais deles o vazaram para a revista.

E, igualmente, envolvido na história, porque é que o Ministério Público não abre uma investigação para saber quem, entre seus membros, serviu a esta patranha criminosa.

Até meu filho, aos três anos, era capaz de compreender que um trenzinho, como um extrato, não ganha pernas sozinho.

Ou no Brasil onde a Veja diz que é preciso acabar com mentira e a impunidade a Veja quer criar, para si, uma superminoridade penal onde a ela – e só a ela – seja permitido dizer que o extrato falso ganhou perninhas e foi andando até à redação, sozinho, e se ofereceu para ser publicado.

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