Tijolaço: o círculo de giz do Governo Dilma

Giz
O que se passou, ontem, na Câmara dos Deputados só pode ter sido surpresa para os atônitos integrantes do núcleo do Governo Dilma, que acham que, a esta altura, podem obter apoio com gestos de abertura, gentileza, emendas parlamentares, cargos e outros pratos servidos em jantares.

Ontem, antes da derrota acachapante na votação de mais um generosíssima “bondade” de R$ 2,45 bilhões – a de vincular remuneração dos advogados da União e dos delegados da Polícia Federal em 90% do vencimento dos Ministros do STF – já se dizia aqui que nem mesmo a capitulação do Governo, a esta altura, bastaria.

Em matéria de jantares, hoje parecem mais apetitosos aos políticos aquele que narra, hoje, a Folha: o de Renan Calheiros , Aécio Neves e José Serra, onde se tratou de se, como e quando desfechar o processo de destituição da Presidenta.

Algo como a que horas matar o peru da ceia, enquanto o bichinho aguarda quieto, preso em seu círculo de giz “republicano”.

A esta altura, parece que ao Governo o que resta é aguardar, passivo, na esperança que o deixem seguir inerme, manietado, colecionando crises e derrotas, transformado num molambo que, entre outras vantagens, dificulta uma vitória de Lula em 2018 ou até mesmo sua candidatura.

Alguns leitores pensam que minhas opinião são pessimistas – e têm toda a razão nisso – e que apontariam por uma deserção à luta – e não têm nenhuma razão nisso.

Mas seria desonesto achar que, a esta altura e com as opções (ou omissões) políticas que se fez, não é real e até melhor que a de uma ruptura, a perspectiva de que o segundo Governo Dilma é um nada e assim deve aceitar ser. por absoluta incapacidade de seus dirigentes em administrar o clima políticos que deixaram – e até ajudaram – a se produzir.

Quem poderia fazê-lo, a grande liderança do povo brasileiro que é Lula, está manietado: não pode criticar a inação do governo Dilma, sob pena de enfraquecê-la ainda mais e está, ele próprio, diante da possibilidade de ser tragado por um policialismo judicial que já não respeita nada e que sabe dominar, pelo medo e pelo clima histérico, todas as instituições.

Não é mais hora de apontar, pela enésima primeira vez, os atos de covardia, omissão e autismo político que nos levaram a isso.

É preciso enxergar além do impasse e oferecer uma alternativa ao povo brasileiro, não às suas elites, porque estas não querem, agora, uma solução de compromisso, mas a degola do Governo, imediata ou prolongada, e uma partilha de poder em que sua parte seja…tudo.

Também não creio que o tom do programa do PT que vai ao ar hoje, o de “guenta aí, pessoal, porque tá ruim, foi pior e vai melhorar” – a crer no que publica Vera Rosa, no Estadão– vá ajudar.
Ainda não o assisti – posto aí embaixo para todos – e volto com comentários , depois.

O que pode mudar a onda conservadoríssima, autoritária mesmo, que parece encobrir o país é a ação, se é que ainda existem forças nele para isso, de Governo.

A direita usou e abusou do poder de intervenção na economia, na ditadura e depois dela , com Sarney (nos preços), com Collor (nos depósitos) e com Fernando Henrique (na própria moeda e no patrimônio público).

A esquerda, ela sim, praticou a liberdade de mercado.

E o mercado, agora, irá devora-la ou, se lhe for conveniente, colocá-la de joelhos.

Até agora, mansamente.



Fernando Brito, Tijolaço

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