Valter Rocha: Sabor de Vida!

O escritor, ator, dramaturgo, poeta e ativista político comunista Valter Rocha de Andrade nasceu em Riachão, atual Uruoca, Ceará, no dia 24 de abril de 1931. Como todos que estão a frente, bem a frente de seu tempo, sempre foi irrequieto e questionador da ordem apresentada. Antes de completar 20 anos, ajudou a fundar uma liga camponesa na localidade Jurema no semiárido cearense, uma empreitada e tanto com seus amigos Onias Rocha, Joaquim Garcez, Mundico Silva, Olímpio Sampaio, Chico Alcino, Letácio Teixeira e Vicente de Paula Ferreira, o Xanse, que depois se tornaria vereador.
Valter Rocha e sua sempre alegre família: Foto: Getty Images
Como todo nordestino do interior, artista e ativista, um destino parece ser exato: São Paulo, metrópole multicultural com suas esquinas famosas, teatros, Com Valter Rocha a história pareceu se repetir. De família tradicional e conservadora, os Rocha, ele preferiu nadar contra a corrente e enfrentar a ditadura militar que se instalou no Brasil nos anos 1964-1985.

Nesse ínterim, viveu na clandestinidade mas sempre com sua marca de rebelde com causa, muitas causas. Participou do Teatro Opinião, atuou sob a direção de Paulo Rangel e foi segurança eventual de Luiz Carlos Prestes. Divertia-se também como taxista.

Numa dessas, percebeu agentes do extinto Serviço Nacional de Informações muito próximo e seguiu para o Ceará e depois Imperatriz, cidade que adotou e ficou fora somente de 1997 a 2000 para assumir posto na administração do prefeito Manoel Cardozo dos Santos na sua querida Uruoca.

Na segunda capital do Maranhão, como costuma repetir o governador Flávio Dino, Valter Rocha presidiu o PCB e depois o PPS. Fundou o movimento Fagulha, participou da Revolução de Janeiro que culminou com o afastamento do prefeito Salvador Rodrigues e morreu em 14 de abril de 2005 como presidente de honra do Partidão de Imperatriz, João Lisboa e Carolina. Ainda participou do único governo de esquerda da cidade, de 2001 a 2004 na gestão de Jomar Fernandes.

Em Imperatriz, alcançou seu sonho de publicar seus livros. O autobibliográfico 'Sabor de Vida - Memórias, Crônicas e Cartas', mostra um autor sempre incansável e sempre saboreando o presente. Como lembra o jornalista Márcio Jerry, "temos a eternidade para descansar".

E sem dar folga aos seus pensamentos publicou afora o Sabor, ainda “Castro Alves – O poeta da Liberdade”, “Gritos e Louvações em Prosa e Verso”, “Uruoca – Homens e Coisas” e “O poeta na Senda da Dramaturgia”.

O Jornal Pequeno de 16 de abril de 2005 estampou: Presidente do PCB de Imperatriz foi enterrado ontem. O Alzheimer, finalmente, conseguiu vencê-lo. Amava sua família, seus filhos e Mirta sua mulher e companheira, também, incansável nas horas de perda, dor e sofrimento. Não bebia e não fumava. Mas, jamais faltou em sua casa um bom aperitivo e cadeiras para conversas até a madrugada, sempre com política e arte. Muita política e muita arte.

Frederico Luiz

Nota da Redação da Aldeia: O autor deste artigo, Frederico Luiz, quando estava próximo de Valter Rocha, apresentava-o primeiro como presidente de honra do Partidão. "E eu sou o sem honra", brincava o então presidente do diretório municipal e candidato ao senado da legenda em 2002 e 2006.

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