Pnae: agricultores comemoram nova renda

O dia começou às 4h da madrugada para Abinozoete Reis Castro, 48 anos, moradora da comunidade Coquilho, na zona rural, distante cerca de 30 km do centro de São Luís. Acompanhada do marido, Raimundo Nonato Ferreira Castro, e do sobrinho, Melquesedeque dos Santos Castro, ela começou a manhã fazendo uma entrega de frutas, verduras e hortaliças. A correria é rotina para a agricultora e empresária desde abril deste ano, quando ela começou a vender para a Prefeitura de São Luís os produtos que plantou.

Os vegetais cultivados por Abinozoete e por outros 200 agricultores, agrupados em associações e cooperativas, complementam a alimentação da rede escolar da capital maranhense, beneficiando os mais de 90 mil alunos com porções diárias de frutas, verduras, hortaliças e sucos naturais. "Esse programa gera um ciclo produtivo que beneficia a todos os participantes: desde o agricultor, que encontra aqui a oportunidade de ampliar a renda e lucrar com o trabalho que desenvolve no campo sem perder a sua essência e para as crianças, que precisam de uma alimentação nutritiva, saudável e fresca. Temos inovado com a utilização de produtos regionais além das frutas e verduras comuns e isso, além de tudo, agrega também valores culturais e de nossa terra ao dia a dia dos nossos estudantes", disse o prefeito Edivaldo.
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Alimentos típicos e frescos na merenda. Foto: Fabrício Cunha
Abinozoete aprendeu a plantar logo cedo, ainda criança, quando ajudava os pais a cuidarem da lavoura, no povoado de Anajatiua, em Pedrinhas. Vieram a juventude, o casamento, filhos, e, durante muito tempo, Abinozoete trabalhou em casa de família e restaurantes para ajudar o marido a sustentar a casa. A mudança brusca e que a transformou em liderança comunitária e produtora rural aconteceu há vinte anos, quando ela se mudou para o bairro do Coquilho. "Quando cheguei aqui, já existia um grupo de mulheres produtoras rurais. Com o pouco que eu já sabia sobre plantio e aprendendo no dia a dia com elas, comecei a produzir alimentos para o meu próprio sustento e da minha família. Não demorou muito e eu comecei a produzir para vender nas feiras livres de São Luís e no mercado do João Paulo", relembra a agricultora.

Segundo ela, foram muitas as dificuldades antes de começar a produzir alimentos para o seu sustento e da família. "Passamos muita necessidade. Tanta, que até para manter os filhos na escola era difícil", assegura Abinozoete. Hoje, com os três filhos criados, ela se diz realizada com o que tem colhido do fruto de seu trabalho como produtora rural. Dos três filhos de Abinozoete, dois estão concluindo a faculdade e já se integraram aos negócios da família.

Com o crescimento da produção, eles ajudam na entrega de alimentos para as escolas, preenchem os papeis para a prestação de contas com o Município, participam das reuniões, do plantio, da colheita e do que for necessário para manter a produção em alta. De fato, a agricultura fez bem a Abinozoete e sua família. A agricultora empresária tem hoje uma sobrado na avenida principal do bairro Coquilho, um pequeno caminhão para entrega dos produtos e um carro de passeio com carroceria, além de alguns hectares de terra com hortaliças, frutas e legumes plantados.

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Para participar da chamada pública e ser selecionada para a entrega de alimentos para as escolas da rede municipal de São Luís, Abinozoete teve que aumentar a produção em torno de 30%, o que lhe proporcionou também aumento de renda. A entrega é feita por meio da Associação Beneficente Educativa Produtiva Cultural dos Moradores de Coquilho e Adjacências, com a qual foi formalizado o contrato com a Prefeitura, a partir de recursos do Pnae. Ela representa e coordena o grupo de aproximadamente 80 produtores rurais, gerenciando os interesses e trabalhando para que as entregas sejam feitas dentro dos dias e prazos determinados.
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Agricultura tem nova renda. Foto: Fabrício Cunha
Entre os alimentos entregues nas escolas, estão melancia, feijão verde, quiabo, maxixe, macaxeira, couve, cebolinha, cheiro verde, abóbora, vinagreira, banana, limão, salsinha, laranja, tomate e cebola.

Família planta unida

Gilson dos Santos Silva, 35 anos, é casado e pai de cinco filhos. Ele é um dos agricultores que produz para a alimentação escolar e, integrado à Associação do Cinturão Verde da Vila Sarney, foi selecionado para a chamada pública. Natural de Humberto de Campos, ele veio ainda bem jovem para São Luís 'tentar a sorte', como ele mesmo declara. "Vim sozinho, aos 15 anos. Minha mãe não queria que eu viesse, mas eu precisava arriscar", recordou.

Gilson mora há 17 anos na Campina, como é chamada a área loteada para agricultores da Associação Cinturão Verde do bairro do Maracanã. O aprendizado da agricultura veio de ajudar o pai na roça de macaxeira. Desde que fez o cadastro na associação, a variedade de cultivo cresceu – e muito. Gilson se dedicou ao plantio e colheita de vegetais e verduras, como laranja, mamão, melancia, banana, abóbora, quiabo, maxixe e macaxeira.

Desde que começou a fazer entrega para as escolas da rede municipal, Gilson diz que aumentou sua produção em 50%. Com isso, além da esposa e dos filhos, trouxe o irmão e o cunhado do município de São Benedito para ajudá-lo. Como a maioria dos produtores da zona rural de São Luís, Gilson também vende seus produtos no mercado do João Paulo. "Para o meu sustento de todo dia, vendo na feira. Para ampliar o negócio e aumentar a minha renda forneço para a Prefeitura, que faz o pagamento por produção. Recebo o meu dinheiro certinho, bem vendido. O programa veio para nos ajudar. Nenhum outro prefeito tinha olhado para a gente antes. Edivaldo está de parabéns", assinalou o agricultor.

Gêneros são entregues toda semana em 250 escolas

Além da Associação do Cinturão Verde, da Associação Beneficente Educativa Produtiva Cultural dos Moradores de Coquilho e Adjacências, a Prefeitura de São Luís também adquire gêneros alimentícios, pagos com recursos do Pnae, do Instituto Educacional Beneficente Alto da Vitória. Os gêneros são entregues às sextas e segundas-feiras pelos próprios agricultores, que organizam as rotas com a supervisão e acompanhamento da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Toda semana, as três associações de agricultores, somadas, entregam às escolas da rede municipal mais de trinta toneladas de alimentos.

Com o auxílio de nutricionista, as frutas e verduras complementam o cardápio diário das Unidades de Educação Básica (U.E.B.) de São Luís, que hoje é feito por uma empresa terceirizada. "A nutricionista organiza a distribuição desses gêneros que complementam o cardápio, de modo a garantir a quantidade necessária de carboidrato, gordura e proteína necessária ao desenvolvimento em cada faixa etária", explicou a superintendente da área de Apoio ao Educando da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Samira Simas.

Para o secretário municipal de Educação, Geraldo Castro Sobrinho, além de aumentar a renda dos agricultores, a ação ajuda a promover hábitos de alimentação saudável desde a infância. "Esta iniciativa é parte do compromisso da gestão do prefeito Edivaldo de promover educação e saúde para a cidade. A partir da complementação da alimentação escolar, aumentamos a quantidade e o valor nutricional das refeições, valorizamos os agricultores locais e servimos frutas, verduras e hortaliças todos os dias aos estudantes. O maior retorno que temos é o impacto positivo que esta ação teve em nossas escolas", afirmou o secretário.

A iniciativa também tem contribuído com a valorização da cultura local, através da adição de alimentos típicos na comida das crianças. No mês de junho, além dos alimentos costumeiramente oferecidos, as escolas receberam, durante uma semana, vegetais típicos das festas juninas como milho, batata doce, macaxeira e coco seco, colaborando com a realização das festas juninas das escolas.

No último dia 18 de setembro, a Prefeitura de São Luís realizou o I Festival da Juçara da Rede Municipal, incluindo, pela primeira vez, a bebida no cardápio das escolas. Foram 18 mil litros de juçara entregues em todas as unidades de educação básica do município.

Agência São Luís

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